a POESiA de LiSO CARENU
" A poética de Liso Carenu tem alto poder imagético - o jovem autor segue com maestria os três preceitos que regem a Alta Literatura segundo a definição do mestre e poeta Ezra Pound : melopéia (musicalidade no texto), fanopéia (metáfora plasticamente riquíssimas) e logopéia (conteúdo ontológico e psicológico poderoso na Busca do Ser): ritmo, imagens e conceitos convergem com rara sensibilidade... "
FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA - Escritor e Jornalista
GRAVAÇÕES DO INFINITIVO - POETA MORTO
Achei possível falar de tudo
Mas geralmente esperam lançar
Lançar em cada música, o seu todo
Meu coração quer um depoimento calmo
Não custa ausentar - me
O pensamento vai e na verdade fica
Já não tenho amigos
Escrevo palavras que me acompanham
As folhas cheias de orelha, aguardo chamar
Guardo as pegadas de mamute, fotografo os caminhos
Dos leões e dos elefantes
São orelhas de papel que se movimentam com o respirar
Na ponta do nariz
Escrevo sempre de alguém para alguém
Não sei quem, agora não me preocupo
Pois há na palavra há, por tanto haver, verá o tom
Meu único infinitivo, a rima do seu viver, ouvir
Nem seu nem meu blá blá blá
Santo infinitivo capta a palavra no ar
As canções sempre estiveram antes de mim, lár
Não mais meus bustos ao mar
Amigos esculpem belas pegadas da história
Resolvo escrever sem pensar
Corro com as letras porque é preciso
Cada quilate de passo, stop by step by stop by step
Raro subtítulo
Quem sabe na vida completo todos meus anos
Quando ao tempo perdido, ficastes lendo
Escrevo para te fortalecer
Meu eu não é meu, nem seu, é do ouvir da vida, se é a vida que está
Por isso prefiro as pegadas correndo
Respirando nas asas dos livros
E as folhas se mexendo
De manha o início da feira livre, popular
Poemas são os poetas de seu religar em ruídos
Comovem letras seguidas e vibram sem ar
Infinito video arrolar texto sem fim
Gravações do infinitivo
Poeta morto.
PULMÃO DE CELACANTO
Ao navegar nessas saudades apontei um farol de significados; O jamais lagamar da imaginação, imagens e conhecimento etéreo fixas à caverna do tempo, esculpida no vento ofuscante caminhada aguda iluminada superfície aberta diminuída no pulmão.
SEGUNDA FEIRA

Toda segunda feira a barba cresce até o fim,
Quando cai como uma pedra
E de carne germina gemea,
Botões de couro em livros escritos,
Papéis in cansáveis da sala na mesa,
Interruptores de consciência.
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